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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mentos e o final do mês

Final de mês é mesmo um momento a parte na vida de pessoas que andam de ônibus. Sem querer generalizar, mas geralmente sobra mês no final do dinheiro pra quem anda de ônibus (falo por mim, mas a quem se encaixe na carapuça).

Dia desses fiquei observando. Estávamos no começo do mês e entrou o rapazinho com as caixas de Mentos (bem comuns por aqui), e foi só ele começar a ladainha “olha o mentos, é a dez. Balinha de mentos é a dez. Balinha mastigável do mentos é a dez” para o povo começar a se coçar e o rapaz encher os bolsos de moedas.

Voltei a observar essa semana. Entrou outro rapaz do Mentos (por que, acredite, eles se multiplicam como gremlins) e a ladainha já era diferente: “Boa noite, pessoal, estou aqui vendendo essa balinha de Mentos, custa só 10 centavos. Em qualquer lugar vocês vão encontrar por 0,25, mas aqui é só 0,10. Me ajudem, pessoal, é só 10 centavos. Vai querer, senhor? Senhora?” Repetiu, repetiu, repetiu, falando com cada passageiro. Apelando mesmo. E nada do povo se coçar.

Não fiquei observando (pra ele não achar que eu queria comprar. Pobre de mim...), mas acho que dessa vez nenhuma balinha de Mentos teve o seu destino final.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Só dá esperto nesse mundo

Então, né. Passagem de ônibus: R$ 1,95.


Agora sigam a bolinha:


R$ 1.95 a passagem inteira. Dividido por dois, temos R$ 0,975.


Confere até aqui? Continuemos:


Quando você leva seu cartão magnético de passe e compra, por exemplo, 20 passagens, você paga R$19,50 , certo? Certo até certo ponto, porque na hora de passr o cartão na maquininha do ônibus, que só trabalha com dois dígitos depois da vírgula, ela vai descontar R$ 0,98, significando que você só conseguirá pagar dezenove passagens, em vez das vinte que você comprou. Pegou a idéia? Agora multiplique isso pelas 352 milhões de pessoas que pagam meia passagem no ônibus.

Essa foi a primeira história, das empresas de ônibus que sutilmente assaltam seus usuários.

A segunda história é sobre o cobrador de uma dessas empresas. Mais especificamente, o cobrador do ônubus que eu pego todos os dias.

Antes, um detalhe importante para a narrativa: de uns tempos pra cá inventaram que a minha carteira de passe tem que ser renovada a cada seis meses, mas é aquela coisa: tem que pagar, tem que enfrentar filas de 2687 metros... eu acabo adiando e por isso tendo que pagar a passagem inteira. Percebem a contradição? Eu reclamo do preço da passagem mas adio exercer meu direito de pagar meia. Mas tanto faz, eu continuo sendo roubada do mesmo jeito, vejam:

Quantas pessoas vocês conhecem que andam com um-re-al-e-no-ven-ta-e-cin-co-cen-ta-vos, assim, trocadinho? Só eu, né, que cansada de trocar os meus dinheiros, ataquei o cofrinho e passei uns dias pagando quase dois reais em moedas de cinco centavos. Um pouco constrangedor, mas quem trabalha com troco geralmente gosta - e até me agradece -, menos é claro o cobrador em questão. Porque me digam: quantas pessoas vocês conhecem que dão dois reais ou cinco ou dez e cobram os cinco centavos que ficaram faltando no troco? Só eu, né, que não tenho cofrinho cheio de moedas de cinco centavos à toa.

Aí que eu percebi que esse cobrador sempre - eu disse SEMPRE - dava o troco de quem pagava a passagem inteira, faltando os cinco centavos. E nem satisfação ele dava, do tipo "tô sem troco, aceita um chiclete?". Nada. Como ninguém cobrava - nem eu -, ele seguia feliz, até que um dia, intrigada com o fato dele NUNCA ter o troco, resolvi perguntar: e os cinco centavos? Vocês não fazem i-d-e-i-a da cara que ele fez! Foi a maior cara de "quem você pensa que é pra acabar com a minha aposentadoria?", porque sim, siiiiim, ele tinha os cincos centavos!!! Agora multiplique isso pelas 856 milhões de pessoas que não pagam a passagem inteira trocada?

E é assim que eu começo os meus dias, todos os dias: perguntando a ele dos meus cinco centavos, que ele nunca entrega de primeira. E adivinha? Ele sempre tem!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Boa ação e Ignorância

Me sinto muito bem quando eu estou sentada no ônibus e peço pra segurar os livros de alguém, cedo lugar a algum velhinho(o), grávida ou com bebê e recebo um “ô, minha filha, muito obrigada, viu?”. Dá aquela sensação de boa ação do dia, sabe?

Mas nem tudo é perfeito. Sendo esta boa ação um ato bilateral, que precisa da minha participação e da pessoa que a recebe (me sentindo tão inteligente estudando Direito...), esta tem que estar pelo menos de bom humor pra tudo sair bem.

Aí que estou eu no meu CDU/Boa Viagem/Caxangá muito feliz por estar sentada junto à janela enquanto o ônibus está lotado, quando entra um cidadão com uma menininha no colo, de uns 2 ou 3 anos. Muito prestativa, vi que ninguém mais perto dele se prontificou, toquei nele e já me levantando disse “sente aqui”, crente que ia marcar na minha agenda a boa ação do dia, quando a figura me responde: Não! Precisa não! E me vira a cara, sem mais nem menos. Com cara de tacho e ainda sem acreditar naquela recusa (e observada por todos os passageiros) coloquei meus fones de ouvido e tratei de chamar o cidadão de tudo, menos de anjo, em meus pensamentos, ao som de Michael Jackson.

Algumas paradas adiante, fui acordada dos meus devaneios por uma gritaria entre os passageiros. Uma mulher que estava sentada nas “cadeiras preferenciais para pessoas com crianças de colo” gritava loucamente: “Avemaria, sente meu filho, eu juro que não vi você aí, me desculpe, sente, vá”, e o estúpido só olhava com cara de nada-está-acontecendo e dizia “não, não, precisa não!”, ao que ela respondia “Não, de jeito nenhum, que uma pessoa com uma criança no colo vai ficar em pé enquanto eu estiver sentada, de jeito nenhum”.

Bom, no fim das contas, o grosso-estúpido-fique-em-pé-para-sempre ficou lá, em pé, com a menina no colo e a mulher enfim sentou-se, indignada, no lugar dela.

Pra mim ele tava com hemorróida. Pronto, falei.