Muita gente que já perguntou porque esse blog acabou ouviu como resposta justificativas vagas e desculpas esfarrapadas, mas é chegada a hora do anúncio oficial:
O De Gosto de Água e de Amigos acabou por que cresceu demais e a fama era muito maior do que eu e Nara podíamos aguentar. O sucesso subiu à cabeça e quando nos demos conta estávamos brigando pelos holofotes. Declaramos diferenças irreconciliáveis. Foi o fim.
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E aí, quem acreditou? Ninguém, né? Poxa... Bom. Fato é que não teve ataque de estrelismo, eu e Nara continuamos BFF e o blog acabou porque... acabou. Só isso, fomos deixando, deixando... até que ele ficou. Maaaaasss quando todos pensavam que nós havíamos abandonado a blogosfera (odeio essa palavra) para todo o sempre, cá estamos renascidas das cinzas.
Nara se juntou com Hugo, virou aprendiz de cozinheira e foi ali compartilhar suas experiências culinárias.
Já eu não virei aprendiz de nada e continuo prolixa e falando de tudo acolá.
É que eu acordei do lado avesso, hoje. E não importa que a cama seja apoiada na parede e eu acorde sempre do mesmo lado, hoje eu acordei do lado avesso. Parece que fazia calor, mas eu nem lembro mais, no sonho eu sentia frio e pedia desajeitadamente que um estranho me “emprestasse” uma informação, já que naquela estação todos emanavam uma hostilidade tão impaciente que eu não me atrevia a pedir que me “dessem”, assim, a troco de nada, a informação sobre que direção seguir.
Mas o que importa é que eu acordei e, talvez por não ter alcançado o meu destino no sonho, acordei do lado avesso. Bem que eu notei aquele quadro de ponta-cabeça, as cores trocadas... mas, em vez de engolir o choro, me enfrentar e segurar a dor, me avessei e lancei em você o profundo desacato da inconsciência romântica.
Larguei de mão a compreensão, joguei pra cima a paciência, empunhei a espada do sarcasmo e fui em frente. Na sua frente me abri e mostrei o que tinha de quase pior. “Quase” porque (sem orgulho aqui, só constatação) eu poderia ser bem pior. Olha, eu poderia.
Final de mês é mesmo um momento a parte na vida de pessoas que andam de ônibus. Sem querer generalizar, mas geralmente sobra mês no final do dinheiro pra quem anda de ônibus (falo por mim, mas a quem se encaixe na carapuça).
Dia desses fiquei observando. Estávamos no começo do mês e entrou o rapazinho com as caixas de Mentos (bem comuns por aqui), e foi só ele começar a ladainha “olha o mentos, é a dez. Balinha de mentos é a dez. Balinha mastigável do mentos é a dez” para o povo começar a se coçar e o rapaz encher os bolsos de moedas.
Voltei a observar essa semana. Entrou outro rapaz do Mentos (por que, acredite, eles se multiplicam como gremlins) e a ladainha já era diferente: “Boa noite, pessoal, estou aqui vendendo essa balinha de Mentos, custa só 10 centavos. Em qualquer lugar vocês vão encontrar por 0,25, mas aqui é só 0,10. Me ajudem, pessoal, é só 10 centavos. Vai querer, senhor? Senhora?” Repetiu, repetiu, repetiu, falando com cada passageiro. Apelando mesmo. E nada do povo se coçar.
Não fiquei observando (pra ele não achar que eu queria comprar. Pobre de mim...), mas acho que dessa vez nenhuma balinha de Mentos teve o seu destino final.
Eu tenho dificuldade pra fazer amizade. O problema é que eu demoro muito até me sentir à vontade de investir na relação, sabe? São muitos aspectos a serem avaliados até eu achar que a pessoa pode ser um amigo em potencial, e o principal deles é a capacidade da pessoa me constranger.
Por exemplo. Tem essa menina na faculdade que eu vou chamar de Paula. Paula mora perto de mim, mas eu só descobri isso um dia desses quando, saindo do condomínio, a vi e a cumprimentei, achando o rosto familiar mas sem saber de onde a conhecia. Vários dias depois, dei de cara com ela na minha sala de aula. Tipo, a sala onde eu estudo há 3 meses. Pra vocês verem como eu presto atenção na aula, né? Acabo ignorando até meus próprios coleguinhas. (NOT)
Mas voltando. Depois de identificá-la, voltei pra casa com ela umas duas vezes, viemos conversando no ônibus e ela parecia gente fina. Mora perto, estuda a mesma coisa, portanto tem provavelmente os mesmos interesses em comum... amiga em potencial, certo? Não se considerarmos aquela capacidade de produzir vergonha alheia que eu falei lá em cima.
Ontem na aula, Rafaela (que não se chama Rafaela de verdade, tá, gente? e que tá grávida) sentou perto de Paula, que tá fazendo dupla com uma outra coleguinha minha que eu já sou mais chegada e ficamos conversando. Todo mundo que lê esse blog já passou por escola e faculdade, então sabe que se você senta perto de alguém na aula, sua imagem será automaticamente anexada à daquela pessoa, né? Aí conversa vai, conversa vem, Paula pergunta a Rafaela que nome ela dará ao seu futuro bacuri. Segue o diálogo:
Rafaela: - Genevésio.
(claro que não é Genevésio, néam? é um nome normal, nem feio nem bonito)
Paula: - Uai, por quê? Que nome feio!
Rafaela: - Porque é o nome do tio que criou meu marido.
Paula: - Mas é MUITO feio! Por que você não coloca Paulo? Paulo é muito mais bonito.
Rafaela(lançando pedidos de socorro com o olhar): - Não acho. Vai ser Genevésio. Cada uma...
Eu: - Eu gosto de Genevésio. Paulo é um nome muito comum.
Paula(colocando a mão na barriga da grávida e falando pro bebê): - Paulôôô! Fala pra sua mãe que esse nome que ela escolheu pra você é muito feio! Que você prefere Paulo. E que vão chamar você de GenevésiA na escolinha!
Nessa hora foi demais pra mim e eu saí da sala, acompanhada da minha outra coleguinha que ficou tão envergonhada de estar perto daquela pessoa quanto eu. . . . .
Final do mês chegando e eu me lembrei de uma vez que meu pai tava no computador e me perguntou o nome do blog, pra ele poder ler. Achando que ele não entenderia o "aguaeamigos" tudo junto, fui soletrando:
- Digite aí: "a"...
- "a"...
- g...
Aí as sugestões automáticas do histórico apareceram e...
- É esse "agoraquesourica"?
Não mesmo, pai! Essa, definitivamente, não sou eu.
Sabe uma coisa que eu tenho medo? Morro de medo? De não poder ser eu. Assim, do jeito que sou, sabe? Explico.
Meu cabelo é aquele do tipo "indeciso", sacomé? Ele não é cacheado, cacheaaaado, mas também não é liso escorrido. A depender do xampú, da quantidade de condicionador que eu usar, do tanto de vezes que eu passar o pente antes dele secar, do clima e do vento que eu levar (ou não), ele pode ser uma coisa ou outra. Tem dias que ele faz a Gisele B. e vira o cabelo mais lindo do mundo e eu fico me coçando pra não tirar uma foto poser e colocar no Orkut pra todo mundo ver, ou sair de casa só pra levá-lo pra passear, porque é bem óbvio que ele só fica lindo assim num domingo à noite ou num dia em que eu vou ter que fazer algum trabalho de campo debaixo do sol-eu-sou-a-maior-estrela-dessa-galáxia-e-vou-torrar-vocês-tudinho e preciso prender e acabar com todo o glamour.
E tem dias que o frizz domina e descrever a cena é desnecessário, mas pra quem ficar curioso é mais ou menos assim:
"There ain't no words for the beauty, the splendor, the wonder of my hair..."
E aí eu vivo nessa de morrer de vergonha quando ele acorda num dia bonzinho e tá mais pra liso e as pessoas perguntam o que eu fiz pra ele ficar daquele jeito, eu respondo "nada" e elas me olham com aquela cara de "aham, eu acredito" e eu fico imaginando que elas acham que eu sou do tipo que nega que faz intervenções estéticas. Tipo celebridade que pariu o filho hoje e duas semanas depois tá magra, linda, barriga de tábua, sem estria nem olheira e vai pra CarasQuem falar que "olha, fui dormir e quando acordei tava assim?". E nos dias que ele tá ruim eu sei que as pessoas me olham ignorando o bíblico "não julgarás" e pensam "eu sabia! alá como tá ruim hoje, naquele dia ela tinha feito progressiva. CERTEZA.".
Mas nem é, viu? É que ele é indeciso mesmo... é fininho, bem pouquinho, mas volumoooso. E pode ser o que eu quiser. E o que eu queria dizer no começo do post é que por poder variar tanto de textura, é muito fácil deixá-lo sempre de um jeito só, tipo liso. Eu acho chic ter que acordar mais cedo todo dia pra secar o cabelo no secador e fazer touca escova e manter a ilusão de que ele é sempre liso.
Maaasss, aí vem o medo: e no dia que eu não puder alisar? Me digam? E nesse dia, o que eu faço? Eu não vou poder ser eu mesma. As pessoas vão me olhar na rua, vão apontar, jogar pedras e gritar: olha láááá, o cabelo dela não é como a gente vê todo diiiia!!!"buuurn her!". E eu vou chorar e correr pro primeiro barbeiro, passar a máquina zero, comprar várias perucas e variar de cabelo todo dia (SPEARS, Britney - 2007).
Isso tudo porque há um ano certinho eu fiz uma escova inteligente e, apesar de 102% da população feminina mundial idolatrar suas chapinhas, eu sentia como se eu tivesse me enganando e enganando o mundo e que a partir de então eu teria que gastar os tubos pra sempre pra manter aquela farsa e ninguém nunca mais descobrir que meu cabelo não é lisão de verdade. Eu, essa pessoa que enriqueceu a Wella por 4 anos comprando Wellaton Rubi.
Mas ando por aí lendo, estudando, descobrindo coisas novas... pesquisando bastante sobre arquitetura e design. Nessas andanças, além de ter assistido uma aula de Design Gráfico e ter me a-pai-xo-na-do, também descobri umas coisas legais que, de tão óbvias, chegam a dar raiva. Mentira, raiva não, né? Mas me perguntando porque raios foram essas pessoas que pensaram nisso e não eu. Hunf.
Compartilhando duas delas:
- Quem ousaria desconstruir a embalagem da Coca-cola? E quem conseguiria fazer campanha pró sustentabilidade desconstruindo justamente a embalagem da Coca-cola? E quem pensaria que isso poderia ficar tão legal? O inventor dessa embalagem quadradinha que além de econcômica, é mais prática e fácil de ser transportada e descartada:
Mais aqui: http://farm5.static.flickr.com/4057/4435622439_c089527019_o.jpg
- Você senta no chão e a perna cansa, aí você abraça as pernas e os braços cansam, e você quer segurar alguma coisa enquanto senta no chão, mas não tem onde se encostar e as pernas estão cansadas e os braços estão apoiando as pernas e é aquela coisa, né? Resolvido: Chairless é a solução.
Sabe, eu vivi a minha vida inteira numa boa, convivendo tranquilamente apenas com os períodos de TPM para deixar os meus nervos à flor da pele e atrapalhar um pouco o meu dia. Até que alguém me disse que existia um tal de inferno astral e desde então, um mês antes da minha virada de ano individual e até dias depois, tudo, eu disse TUDO, que dá errado eu culpo logo o danado do inferno astral na minha vida. Desde o ônibus que resolve enfrentar as leis da física e lotar mais do que pode até fatos mais, digamos, significativos.
E olha que depois que descobri isso as coisas meio que esperam pra acontecer nesse período. Uma espécie de prova para que eu acredite que essa coisa toda existe mesmo e não é só lenda pra cabrito dormir.
A pergunta é: quanto tempo EXATAMENTE dura o inferno astral?
Ok, inconsciente, eu já acredito, beleza? Sem mais provas, por favor.
Daí que esse mês de janeiro que passou eu tirei pra descansar. Descansaaaar. Há tempos eu não fazia isso, tinha sempre um estágio no meio pra atrapalhar, então a minha meta foi: nenhuma obrigação, fazer só o que EU quisesse fazer. Exceto por uns trabalhinhos que eu tive que aceitar, porque money que é good nós não have, eu quase consegui. E foi tão bom! Tirando o namorado, que eu só vejo 6,5 vezes por ano, o que já seria motivo suficiente pra fazer o retiro valer a pena, eu ainda pude fazer bastante o que eu tô quase certa de que é uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida: ver todos os filmes do mundo. Tá bom, tá bom, não foram tooodos os filmes do mundo, mas foi uma quantidade razoável: 15. Pra 30 dias, acho que foi o bastante. Se todos os meses pudessem ser assim...
Além de poder me dedicar bastante ao meu hobby preferido, eu ainda pude descobrir novos talentos. Na verdade, UM talento: cozinhar. Talento é modo de falar, claro, mas acontece que eu consegui fazer pelo menos três pratos de classes diferentes ficarem bem saborosos. Uns deram errado, mas esses três...
A folga foi boa também pra fazer aquela revisão de prioridades, que alguns chamam de resoluções de fim de ano. No meu caso, de começo de ano. Nessa retrospectiva, eu percebi que algumas coisas ficam, outras precisam mudar. Por exemplo: a falta de leitura (de livros) me deixou meio burra e tá afetando meu vocabulário, então um livro por mês é o novo preto; a falta de exercício (ou seria o avançado da idade? hum) está me rendendo dores constantes nas costas, então pilates, tamos aí; e a contratação do meu escritório pra alguns serviços me mostrou que eu escolhi direitinho a minha profissão e que trabalhar com o que gostamos é a coisa mais linda do mundo, mas não saber se vai rolar trabalho (e dinheiro) no próximo mês não é nada, sede estabilidade é tudo, então, opa, concursos pra que te quero! Estudar pra eles ainda não (alô, preguiça!), por enquanto só fazer e descobrir os pontos fracos, depois quem sabe me preparar de verdade.
Resumindo, as minhas resoluções para 2010, por enquanto, são bem simples: ler um pouco, assistir uns filminhos aqui e acolá, tentar umas receitas interessantes, lembrar aos meus músculos que eles vieram à Terra com uma missão, ficar rica e não precisar mais trabalhar... enfim, coisa pouca.
O bom pra quem lê esse blog (Oi, Natali! Oi, Vanessa! Fim) é que as tais resoluções vão refletir em mais posts, porque né, com TANTAS mudanças acontecendo na minha vida, eu vou precisar registrar as experiências em algum lugar.
Eu sei que vocês devem estar pensando que eu sou uma inimiga dos animais e coisa e tal, mas não é bem assim. Quero deixar claro que eu entendo perfeitamente que uma pessoa possa ter num cachorro (ó céus, porque não um peixe? =P) seu melhor amigo, ou até mesmo um filho.
Sim, eu já tive um cachorro. E foi porque nós quisemos, a família inteira. Quando fomos morar numa casa espaçosa e tínhamos espaço para mais um “ser”, um vira-lata que chegou novinho, assim pra gente ver crescer e não ficar com medo. E eu, quando era pequena (ou quem sabe em outra vida), devo ter tido um trauma muito do forte, desses que só Freud explica, porque pra pegar nele, assim novinho, eu o levantava acho que a uns 20 cm do chão; e quando ele corria eu corria também, na frente, com medo, até a cadeira mais próxima.
Foi assim que ele cresceu, alegre e serelepe, e o máximo que eu fazia era passar a mão temerosa na cabeça dele; e se estava solto, eu nem saia de casa... Triste né?
Mais triste ainda foi quando ele foi pro céu dos cachorros e eu percebi que ele era mesmo da família e que a casa ficou com um silêncio incômodo sem os latidos e as corridas sem motivo do bixinho.
Sim, eu tenho coração! Mas ele não tem lá uma queda por caninos...
- Bom dia. Me vê um punhado de memórias, por favor.
- De que tipo, senhora?
- Hum... comece com memórias de infância. Tem das que lembram risadas, brincadeiras e uma certa sensação de que depois daquilo ainda viria muito mais?
- Tem sim, senhora, é a mais pedida.
- Então coloca bem muito dessa. Coloca também uma que me lembre de pessoas que eu não vou ver nunca mais. E um pouco da minha imaginação infantil.
- Feito. Mais alguma?
- Sim, sim, muito mais. Eu vou querer memórias de histórias que eu não vivi, de personagens que eu nunca fui, mas cujas vidas e idéias eu peguei emprestadas por alguns dias, horas... alguns estão comigo até hoje. Tornaram-se um pouquinho de mim, foram meus companheiros e únicas companhias algumas vezes. Em outras senti que só eles poderiam me entender. Mas não eram reais, você sabe... Tem dessas?
- Para todos os gostos.
- Gosto assim, bem variado. Coloca uns de pessoas reais também, pra eu fingir que as conheci.
- Ok.
- Olha, eu também vou querer lembranças de família. Um objeto que marque a primeira grande mudança da minha vida, literalmente, mas que não fique na cara o que ele representa. Que as pessoas olhem pra ele com doçura, e não saibam o leve desespero que eu sinto quando me coloco de novo naquele comecinho de milênio. E quero memórias do único filho que já tive até hoje.
- Vai querer da grande ou da pequena?
- Da pequena. As memórias são minhas e algumas pessoas nunca entendem que cachorros podem ser mais humanos que... bem, humanos. E que fazem falta quando vão para o céu dos cachorros. É, da pequena mesmo, só pra mim. Coloca bem no alto, pra só eu alcançar.
- Ainda tem bastante espaço, o que mais eu coloco?
- Amigos, claro! Dos que eu não vejo mais e perdi o contato, vou querer memórias de super-poderes que ajudavam a enfrentar aquela confusão da adolescência. Dos que estão longe, quero memórias da atenção em lembrar - e me presentear com - o meu filme favorito. Dos que estão perto, quero a surpresa de ser presenteada com lembranças de um mundo distante que eu não conheço, vindas de alguém que eu não conhecia. Dos que passaram bem rápido, quero a lembrança dos que me viam como uma criança, mas me diziam ter letra de adulta, seja lá o que isso signifique.
- Tá ficando uma mistura boa.
- Ainda falta muito... tem espaço?
- Ai de mim, se não tivesse.
- Então coloca bichinhos, vários bichinhos. E um Francisco abençoando tudo isso. Ah, coloca as flores que eu ganhei também! Quero muito a memória daquele dia. E daquela pessoa. Por favor, completa com memórias de um futuro que não aconteceu ainda? Um pedacinho do quebra-cabeça que eu vou montar junto com ela? Eu também quero memórias de um mundo que eu quero ajudar a projetar, memórias inspiradoras, memórias que eu escolhi. Aproveita e coloca memórias dos meus dois lados e uma memória das coisas boas que me ensinaram. Lápis pra desenhar o mundo e caixinhas pra guardar conversas antigas. Ainda tem espaço pra humor?
- Tem um cantinho aqui em cima.
- Coloca então um cabeção!
- Olha, você esqueceu de colocar fotos...
- Esqueci não, fotos tem sorrisos congelados, uma hora começam a parecer a Monalisa, sem você saber se é sorriso de felicidade ou de sarcasmo. Foto boa é foto guardada, pra você procurar quando quiser. Expostas, assim, boas são coisinhas pequenas, que só a gente sabe o que significa.
- Vi que você pegou uma bíblia. Vai querer também?
- Vou sim, tem histórias lindas nela... realmente inspiradoras.
- Pronto, já acrescentei. Mais alguma coisa?
- Por enquanto, não, já tem o bastante pra eu me lembrar de muitas coisas... mas posso voltar aqui se faltar alguma coisa ou se quiser coisas novas?
- Claro! Aqui ou em qualquer uma das nossas filiais. Temos representantes espalhados por todo o mundo, em vários lugares. Em quase todos. Em quase tudo, pra ser sincero.
- Que bom... to sentindo que vou voltar mais vezes.
- Fico feliz. Acredita que tem gente que nunca volta? Tem gente até que nunca veio!
- Espero não me tornar uma pessoa assim...
- Sim, sim. Outra coisa... é pra agora ou é pra levar?
Mexendo nuns guardados de muitos anos atrás, achei este livretozinho, lançado em 1992 pela escola onde eu estudava.
O livro, com capa mimeografada, textos e fotos (dos alunos fotografados contra o sol) xerocados e introdução escrita à máquina, além de ser um exemplar único da tecnologia ultramoderna da época, é também uma coletânea de histórias e desenhos realizados pelos alunos da 1ª série A, alfabetizados no ano anterior.
Eu só lembro que adoeci e faltei no dia oficial de escrever as histórias, e tive que escrever de última hora em outro dia normal de aula, quando recebi as parcas instruções: “nesse lado tu escreve, nesse outro tu desenha”. Se tivessem me dito que era um “registro para a posteridade”, talvez eu tivesse caprichado mais, mas enfim, segue a obra prima literária (tudo sic):
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“Os animais e a prima-vera [sim: prima, hífen, vera]
Com a chegada da prima-vera [de novo] toda natureza entra em festa. A prima-vera [opa] é muito boa, quando ela chega os jardins ficam floridos, as matas ficam verdinhas [adoro o diminutivo, que doçura], as flores ficam mas [sem i] colorida [sem s] e por isso a variedade de borboletas aumenta [sabe deus de onde eu tirei esse fato científico]. É borboleta tudo que é cor, cada uma mas [o Word insiste em me corrigir] bonita do que a outra e elas ficam pulando de flor em flor e por isso faz que a natureza fique mas [hum] bonita.
Autora: [content supressed] idade: 7 anos série: 1º”
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E essa sou eu, recém-alfabetizada. Já dava pra sentir que tinha futuro, hein?
As borboletas pulam de flor em flor.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Nara tem insistido bastante pra que eu escreva aqui, mas a cabeça anda um pouco cheia de coisas demais, monografias (que eu não comecei a escrever ainda) demais, projetos (que eu ainda não resolvi) demais, livros (que eu ainda não li) demais, saudades (que eu ainda não matei) demais, enfim: a vida, o universo e tudo mais.
Mas a quem eu quero enganar, hum? Fato é que meu horário tá assim: estágio nas manhãs de segunda à sexta e aula na segunda à noite. Só. É muito tempo livre, eu fico sem saber por onde começar. A monografia ainda não tem orientador, porque o que eu escolhi semestre passado se demitiu e a segunda opção já tem orientandos demais; fiz o projeto de pesquisa todo sozinha e estou considerando seriamente em escrever GOOGLE no campo do orientador.
Tem também o outro fato que eu viajei duas vezes semana retrasada, uma delas fujida, o que exigiu toda a minha imaginação pra inventar uma desculpa convincente para [content supressed]. Ademais, minha internet tá meio cagona por esses dias e toda vez que ela finalmente conecta, eu aproveito pra ler, digo, me inspirar nos inúmeros blogs que eu acompanho e acabo achando que eu não escrevo assim tão bem quanto eles e desisto de publicar meus textinhos aqui.
Resumindo, não, gente, não tem texto de verdade hoje. Eu ainda tentei, tava aqui super empolgada escrevendo sobre o encontro familiar que aconteceu numa dessas viagens que eu fiz, na qual conseguimos reunir quase toda a família depois de dezessete anos, mas aí fui abrir a cortina, pra arejar a sala e a minha mente, tava tocando um fado, eu fui dançando muito feliz e saltitante e, ao abrir a janela, dei de cara com um jardineiro e isso acabou com a minha criatividade.